Em agosto, os fundos abertos de previdência sofreram
saques de R$ 199 milhões, em termos líquidos. O valor é aparentemente pequeno
para um patrimônio total de R$ 354 bilhões, em junho - mas já tinha havido no
mês anterior, julho, retiradas de R$ 1,041 bilhão. Cabe indagar se o que motivou
os aplicadores foram dificuldades para fechar as próprias contas ou insatisfação
com a renda.
Entre 2004 e junho de 2013, o patrimônio dos fundos
de previdência aberta passou de R$ 66 bilhões para R$ 354 bilhões. O aumento
(+436%) superou o dos fundos fechados (de pensão), de R$ 256 bilhões para R$ 630
bilhões (+146%). Entre os primeiros semestres de 2012 e 2013, o crescimento do
patrimônio dos fundos abertos de previdência foi de 17% (R$ 38
bilhões).
A previdência aberta tem regras mais flexíveis do
que a previdência fechada. Em geral, saques podem ser feitos a qualquer momento,
sem penalidades além das tributárias.
São recursos separados
para o futuro, que desfrutaram do benefício fiscal no ano-base dos aportes. Os
saques não podem ser comparados, portanto, aos de carteiras livres de curto
prazo, sem benefícios fiscais, como as de fundos DI ou de fundos de renda
fixa.
As carteiras dos fundos de previdência estão
sujeitas a regras estritas, que estimulam a aplicação de recursos em papéis de
longo prazo. Mas muitos desses títulos se desvalorizaram com as oscilações do
mercado e as taxas básicas de juros.
Aplicadores em
previdência reagiram mal à desvalorização do patrimônio do fundo - e do valor
das cotas dos participantes. O que se explica porque em muitos fundos há uma
concentração de beneficiários próximos da idade da aposentadoria, que preferem
carteiras conservadoras e evitam riscos. Para estes, o conselho habitual - "não
se preocupem com a volatilidade no curto prazo" - não faz
sentido.
As autoridades têm de acompanhar mais de perto as
movimentações dos fundos de previdência. Trata-se de poupança de longo prazo, de
que o governo lança mão para colocar títulos públicos. A revisão das regras
desses fundos, em estudo no Ministério da Fazenda, deve levar em conta os riscos
de mercado, hoje bem maiores do que no passado.
Fundos de aposentadoria
ajudam a reduzir a pressão sobre as contas públicas no presente e a pressão
futura dos participantes na fase mais crítica da vida, quando as despesas com
saúde e cuidados pessoais são muito elevadas. (Agência
Estado)
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